“Ainda é um pouco assustador, mas está tudo bem”: encontro com morcegos ao cair da noite nas cavernas de Sare

Como parte do Rendez-vous nature du 64, na terça-feira, 26 de agosto, alguns poucos puderam visitar as cavernas do Sare à noite. Um mergulho nos mistérios do morcego-de-Schreiber, uma espécie endêmica do departamento.
O céu está baixo, o tempo chuvoso e a luz, sombria. Uma atmosfera quase mística se instala em torno das cavernas de Sare. Condições perfeitas para mergulhar nas profundezas da terra nesta terça-feira, 26 de agosto. Naquela noite, as cavernas oferecem a um pequeno grupo de visitantes a oportunidade de vivenciar uma experiência única. Eles partem para conhecer o morcego-de-Schreiber, uma espécie de morcego endêmica do departamento.
A visita começa pontualmente para os 20 privilegiados convidados da noite, com a exibição de um filme feito no coração da caverna de Espalungue, em Béarn, para estudar de perto o comportamento do mamífero.
No local, a maioria das famílias veio com crianças. É o caso de Imanol, professor de biologia na Saint-Vincent, em Hendaye. Ele fez a viagem com seus dois filhos, Anton e Alice, de 5 e 8 anos, para dar-lhes uma pequena pausa nas férias. Quanto aos pequenos, o passeio está aprovado. "Já viemos na quinta-feira passada, mas eu queria ver ainda mais morcegos", confidencia Anton, animado.

CE
Os visitantes estão em boas mãos: Imanol Amestoy, do CPIE da Costa Basca, Peio Cornu e Denis Vincent, do Conservatório de Espécies Naturais (CEN), lideram o passeio noturno. Como parte do programa de pesquisa "Morcego Cavernícola Prioritário na Nova Aquitânia", financiado pela Região, o sítio de Sare é importante para os membros do CEN. "Nós o utilizamos como local de marcação para monitorar a movimentação de espécies, juntamente com outros 10 sítios em outras partes da região", observa Denis Vincent. "É uma área essencial para análise."
As cavernas de Sare desempenham, portanto, um papel duplo, tanto como centro de proteção quanto como verdadeiro laboratório de pesquisa.
Todos estão esperando o primeiro bater de asas, a primeira sombra aparecer na rocha.Os sentidos aguçados
Por volta das 20h15, chega o momento tão esperado. Passo a passo, o grupo se aproxima da caverna. Sob o grande alpendre, que se eleva a 50 metros de altura, a procissão deixa a luz do dia para mergulhar nas sombras da rocha calcária. Lá dentro, a percepção do tempo parece diferente. As gotas batendo no chão, o frio, os ruídos — a percepção de todos parece aguçada. As crianças, impacientes, batem os pés: "Ainda dá um pouco de medo, mas está tudo bem", sussurra Anton. Todos aguardam o primeiro bater de asas, a primeira sombra a aparecer na rocha.

CE
De repente, um clarão escuro atravessa a abóbada. Exclamações ecoam na penumbra: "Olhe lá em cima, tem um monte deles", Alice sussurra para o irmãozinho.
Jovens e velhos são transportados para este interlúdio subterrâneo, enquanto os primeiros miniópteros alçam voo para dentro da caverna. É preciso estar atento, pois a cena é breve.
500 indivíduosA espécie às vezes é muito móvel, dentro da própria caverna ou até mesmo em locais mais distantes, diz Peio. "Ao microchipar alguns indivíduos, conseguimos identificar um minióptero em uma noite em Sare e, no dia seguinte, em Arudy. Daí a importância de compartilhar esses locais para pesquisa", explica.

Enzo Calderón
Em toda a França, o número de morcegos-de-Schreiber está diminuindo, mas a Caverna do Sare é uma exceção. "O número de indivíduos presentes se mantém estável há cerca de quinze anos", sorri Denis. Após a epidemia de 2003, que exterminou metade da espécie na França, quase 500 morcegos ainda habitam a área.
A colônia é muito ativa, pois não esperava ver pessoas neste momento.
Nesta noite de final de agosto, os morcegos estão menos tímidos do que o normal. "Eles já descobriram o horário habitual de fim de visita. A colônia está muito ativa porque eles não esperavam ver pessoas neste horário", sorri Peio.
Imanol Amestoy, do CPIE, tira uma caixinha intrigante da bolsa. Mal a liga, um estranho estalo ecoa pelo ar. É uma "bat-box", um dispositivo capaz de traduzir o ultrassom emitido por morcegos em sons perceptíveis ao ouvido humano. As crianças se concentram, fascinadas por essa música invisível.
Por volta das 21h30, o grupo deixa a caverna, depois que o sol já teve tempo de se pôr. Os morcegos se preparam para a temporada de caça noturna. Ao ouvi-los, os jovens Anton e Alice quase retornam pela terceira vez, sob o olhar maravilhado do pai. "Estou feliz em trazê-los aqui. A iniciativa proposta é puramente familiar, estamos todos felizes", diz ele com um sorriso.

Enzo Calderón

Enzo Calderón
"Acho que o objetivo desta noite foi alcançado", disse Peio após a visita. "Aumentar a conscientização sobre essa espécie pouco compreendida e, às vezes, não amada, para que o conhecimento possa eliminar preconceitos."
Outros encontros estão previstos até o final do ano para continuar a descoberta das espécies endêmicas do departamento.